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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Seun Kuti: “Meu pai trouxe um novo olhar e uma nova interpretação para a música africana”


Ele recebeu do pai uma herança que compartilha com a música mundial. Seun Kuti é o grande nome do Afrobeat, estilo criado por Fela Kuti, que promoveu o encontro do jazz, funk e cantos tradicionais africanos na mesma música! “Para mim, afrobeat é revolução!”, descreve de forma sucinta o som caracterizado pelo seu “endless groove” , estrutura musical que se repete durante a execução."Mas isso não é só entretenimento. 

Quem vai ao show sabe como é energético. Isso é muito importante para mim – disse em entrevista exclusiva fazendo elogios à música brasileira e ao pai (artista consagrado e ativista político falecido em 1997, vítima de HIV), que ajudou a elevar o status da música africana".

Seun ressalta a energia em suas performances, elemento que deve ser vital na apresentação de músicas quase intermináveis. 

As de Fela duravam em média 20 minutos, tendência seguida por Seun, que sobre o palco supera os 10 minutos mantendo a mesma harmonia (o mesmo acorde). 

Sem pressa para acabar, ele aproveita para explorar o arsenal de instrumentos que ele carrega."Eu uso sax, trompete, guitarra, baixo, bateria, percussão.

Esse som rico e repetitivo cria um jogo psicológico que te prende. Isso é Afrobeat, cara".Nesse jogo hipnótico, Kuti, que aos 30 anos coleciona quatro álbuns, dança e expõe uma performance parecendo convocar seus ancestrais. Fela também era assim.Levava para os shows uma pequena mostra das danças e rituais africanos. 

Muito de Kuti foi influenciado pelo pai, a sua maior inspiração."Ele inventou isso tudo, trouxe um novo olhar e uma nova interpretação para a música africana. Isso mexeu com a música mundial e é por isso que eu gosto de seguir essa originalidade – contou orgulhoso sobre o trabalho do pai, que também incluía críticas duras à colonização".

Fela Kuti era uma estrela nigeriana, uma personalidade que orgulhava os conterrâneos não apenas pela autenticidade artística, mas pelo ativismo.

Em relação à produção artística africana, os esteriótipos estão sendo deixados de lado, esquecidos com a contrapartida de essas possibilidades vindas do continente enriquecerem não apenas a música, mas a cultura como um todo.

"Há muitos grooves africanos se tornando hits no mundo inteiro. Quer ver algo polêmico? Michael Jackson simplesmente pegou o reef (trecho melódico que se repete e chega a ser considerado a identidade da música) de Shakara (música de Fela Kuti) e fezThriller, mas meu pai nunca quis processá-lo, revelou sobre a criação de Fela, em 1972, e a de Jackson, 10 anos mais tarde.Seun não gosta dessa apropriação, claro. 

Preferia ver Shakara com o seu devido crédito em todo o mundo. Mesmo assim ele está feliz com o reconhecimento da música africana, que a cada dia ganha mais espaço".

Sobre esse tópico, ele acredita que não há diferenças entre os sons da Nigéria, país onde nasceu, e os produzidos nos vizinhos.Com cerca de 170 milhões de habitantes, a Nigéria é considerada o berço do Afrobeat, possuindo um acervo de instrumentos e sons próprios, mas que, ideologicamente, não se diferem dos outros países africanos.

"As músicas de toda a parte da África são bem originais, sem um peso maior para um país ou outro. A maioria dos artistas africanos toca, compõe e produz por mudanças. Esse é o nosso ideal e o que se faz presente na nossa produção musical" finalizou Seun Kuti.

Fonte: Por dentro da África
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