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Por que o Egipto retratado branco não incomoda?


Nesta semana, a oficialização de Halle Bailey como protagonista de A Pequena Sereia abriu mais uma discussão sobre representatividade no cinema. Com argumentos de que Ariel seria norueguesa, internautas reclamaram da actriz negra na representação da sereia.

Inicialmente, vale pensar que sereias não existem, ao que tudo indica. Logo, poderiam ser de qualquer cor. Mas muito mais evidente e importante que isso, essas discussões na internet trouxeram mais uma questão à tona: o racismo.

Afinal, o público que se incomoda com uma Ariel negra jamais se importou com um Egipto branco. Sem contar com boa parte das pessoas que sequer sabe que o país fica no continente africano.

Nesse sentido, argumentos como “a Ariel não pode ser negra porque a origem dela é outra” seriam incoerentes mesmo que a história de A Pequena Sereia fosse real.

Uma parcela da população tem se incomodado com os espaços brancos sendo ocupados, dia após dia, por negros. E que isso aconteça cada vez mais com o cinema, uma das mais importantes e admiráveis artes, para que negros se sintam representados.

E que argumentos falaciosos não sejam usados a fim de deslegitimar conquistas como uma Ariel negra. Foram anos de representantes da história negra retratados como brancos ou sequer retratados. Uma Ariel negra é só o começo.

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