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“A academia europeia em África é uma escola de mentiras”, afirma pensador africano Isidro Fortunato


O pensador africano Isidro Fortunato afirmou que “a academia europeia em África é uma escola de mentiras porque ensina aos africanos a amnésia, a esquecerem-se deles mesmos e a contribuírem para a destruição dos legados culturais e histórico do próprio povo, através da “indoutrinação” de consciência africana”.
O também rapper angolano, que falou por ocasião da 3ª edição dos Diálogos Culturais, realizado na Mediateca de Luanda, neste último sábado, pelo Projecto Ubuntu, do qual é fundador, acrescentou ainda que “nós temos num livro de histórias passagens curtas que falam sobre o Egipto, sabendo nós que este a primeira civilização do mundo”.


Entretanto, citou o cantor e pensador nigeriano Fela Kuti, que afirmou que “a escola colonial matou a identidade africana”, tendo realçado que “isso é muito real, porque existe uma fantasia apresentada nos currículos escolares que mostram que a história dos africanos começa na escravidão”.
John Clarke, um famoso historiador afro-americano, continuou Isidro, mostra-nos também uma passagem, onde diz que “se você aprende que a tua história cultural começa na escravidão, tudo o resto vai parecer progresso”.
“Ou seja, a guerra ou o conflito vai para uma extensão desse progresso, então é uma necessidade muito grande de buscar as nossas raízes, principalmente de nos desfazermos desses currículos coloniais que têm sido fundamentais na morte da identidade africana e na continuação do colonialismo, porque o colonialismo é um processo permanente”, alertou o responsável, referindo que os Estados africanos que mantiveram as suas estruturas de consciência de Estado Colonial até hoje ainda “coça” que o colonialismo é o processo que ocorre através das instituições religiosas, de educação, e “tudo isso continua a formar uma consciência mais focada na Europa e menos nos desafios que África enfrenta no mundo”.
Reiterou ainda que “vivemos uma história construída sobre mentiras, uma história forjada e com o objectivo de destruir os intelectuais, de nunca libertarmos o nosso foco e potencial enquanto africanos”.
“A nossa raça é grandiosa, nós temos uma raça antiga nesse planeta, os nossos antepassados construíram pirâmides no tempo em que os europeus ainda estavam no interior das cavernas frias da Europa, dentre elas muralhas, o Império Monomotapa, em Zimbabwe, já tínhamos grandes reinos em pontes que hoje é a actual Somália, já tínhamos grandes civilizações na Namíbia, no Ghana, muita coisa  e nós temos um legado civilizacional primordial na história do mundo”, argumentou, e afirmou que “a história do mundo só é universal dentro do ponto de vista europeu porque eles excluíram a história africana”.
O Projecto Ubuntu tem vários segmentos, um deles é o evento “Diálogos Culturais”, que acontece quinzenalmente na Mediateca de Luanda. Segundo a apreciação da organização, as duas outras edições foram muito boas e, para tal, a Rede das Mediatecas de Angola tem sido de vital de importância.
Dentre os convidados para esta edição estiveram Figueiredo Casimiro, é apresentador do noticiário de línguas nacionais, propriamente para Umbundu, Filipe Vidal, Historiador e Antropólogo, Paulo Gamba, Linguista e Jurista, Augusto Báfua Báfua, Técnico de Relações Internacionais e Activista Cívico, e Mwêne Kambandu Kanjika, Activista Cultural Panafricanista.

Adão Minjy, músico tradicional

O encontro foi também preenchido por momentos culturais, designadamente com actuações do músico tradicional Adão Minjy e Pedro Varino Ukwakusima, poeta e declamador, e os músicos Ndaka Yo Wiñi e Unekka Unekka, nas edições passadas.

Pedro Varino Ukwakusima, poeta e declamador

Segundo ainda Isidro Fortunato, que falou ao ONgoma News, “os convidados são pessoas conhecidas, que sentem ter a missão de transmitir conhecimentos que são muito valiosos, então a intenção passa por unir o útil e o agradável”.
Fonte: Ongoma

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